DANÇAS BIRIVAS
No decorrer das viagens dos tropeiros, durante as longas noites a beira de um fogo,eles procuravam se descontrair esquecendo a dura lida de viagem e dos sofrimentos que passavam. Nessa descontração ao som de violas ou meia-violas surgiram certas cantigas e danças que eram praticadas somente por homens, ( pois não existia mulheres nas viagens) eles então mostravam toda a habilidade e criatividade em um prazeroso divertimento.
Dentre essas danças, foram encontradas e pesquisadas( por João Carlos Paixão Côrtes) apenas quatro, as quais hoje são reconstituídas e praticadas por grandes grupos de dança em vários festivais de dança pelo país.
As danças são:
CHULA – Dança somente masculina ( principal característica das danças birivas) na qual os dançarinos se confrontavam, cada qual desejando mostrar suas habilidades coreográficas através de movimentos e sapateios, de um e de outro lado de uma haste de madeira, posta devidamente no chão.
A haste, no chão, nunca teve historicamente a obrigatoriedade de ser “ uma lança”. A dança não está diretamente ligada a uma idéia revolucionária ou guerreira. Quanto a sua origem, a chula nunca foi utilizada em disputas, ainda mais por prendas como muitos erradamente acreditam.
DANÇA DOS FACÕES – Dança onde os bailarinos, cada um deles com dois facões, cadenciam a música com precisas batidas esgrimadas, exigindo muita habilidade, destreza e precisão, a fim de evitar cortes ou eventuais acidentes entre os participantes.
Erroneamente temos visto grupos fazendo deste tema um motivo coreográfico barbaresco, de infundada violência e de medíocre expressão artística, fugindo de uma arte folclórica autêntica.
CHICO DO PORRETE - Motivo campesino onde, através do movimento de passar um bastão por entre as pernas, por uma mão e outra, e sapateios, traduz habilidade vigor físico do dançante, “baile biriva”, do ciclo antigo do tropeirismo de mula, interligando o Rio Grande do Sul a áreas rurais do centro do Brasil.
FANDANGO SAPATEADO – Herança do colonizador lusitano. Dança onde cada cavalheiro, depois de bailar em círculo e em conjunto, procura exibir sua capacidade de teatralidade, com exuberantes “ figuras-solo” sapateadas, ao som do rosetear de nazarenas, das quais muitas delas lembravam e imitavam lidas e motivos de campo e de sua origem.
Motivo oriundo do século XVIII quando do nascimento do “gaúcho-do-campo”, em sua atividade birivista tropeira.
Este tema – que é nosso mais antigo tema coreográfico – deu origem à formação do “ciclo do fandanguismo” primitivo rio-grandense, onde aparece posteriormente a dama, formando par.
4 comentários:
Achei muito interessante a pesquisa, pois resgata a cultura e a tradição gaucha.Muitos moram no RS e não são informados da história de nosso povo.E a partir desta ampliei meus conheçimentos e minha cultura.
Mas bá thê, muito importante para nossa cultura este tipo de pesquisa,pois resgata o que realmente era dançado por peões em fandangos. Ja tive a oportunidade de dançar estas coreografias e admiro muito quando gaúchos, ainda mais quando se trata de prendas que comentam sobre nossa cultura.
Ass. Jorgemar Cardoso Vieira
Biriva, paranaense ou paulista nunca usou chiripá. De onde essa invenção? Chiripá e peça dos pampeanos (charruas e minuanos) lá da linha com o Uruguai. O birivas colonizaram parte da região serrana, planalto médio e Missões, onde o chiripá nunca chegou.
Carlos Zatti - ex-patrão de CTG e escritor.
Joseiane e Jorgemar, Nem tudo isso que foi escrito é verdadeiro. Não tem base histórica. Por isso, as vezes, o movimento tradicionalista é chacoteado, notadamente por gaúchos, por essas invenções de araque. Biriva nunca usou chiripá. Isso é coisa lá da linha e principalmente de castelhanos.
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